terça-feira, 10 de setembro de 2013

proce(ss)o

Sonhar nunca foi fácil... Viver também não.

Cisma de gente grande, ódio de terceiros.
Boca pequena, espanta moscas...
Arte de ser princesa.
Soco, bola, alfaiate, costura e desapego.
Sobre a mesa migalhas dormidas
Sobre a pia, café requentado,
sobre a mente, uma mentira verdadeira
E sobre a vida, uma imensidão de fatos efêmeros...
De uma vida sem proza.

Estou indo embora para meu mundo,
de tiro e queda, já se desfaz o tudo...
Não volto, não grito, não lembro...
Entre a dor e a saudade,
eu fico sempre no meio.

Estou me desfazendo das coisas,
das pessoas,
das músicas.
Estou me desfazendo de mim,
para que enfim, eu possa
cair.

Cuspe de gente pequena,
ódio de gente adulta.
Adultério inflamado,
ciumes rasgados.
Cigarros fumados,
mortos assombrados...

E sobre o poema,
restam apenas a dogmática
de um dia ser verdade, as palavras,
tão chamuscadas de amor.

Ramon Gabriel Conti

sexta-feira, 14 de junho de 2013

- Falta pouco

Falta a falta que faz faltar.
Falta o medo, falta o azar...
Falta a triste necessidade de faltar,
Falta a verdade. É a falta de matar.
Falta a felicidade, e por fim, falta amar...
Falta, por si só, o faltar de uma falta.

Falta, assim a falta de alguma coisa a faltar.
Falta em mim, a falta que há em você...
Falta, uma falta a faltar, - Já disse!
A  falta, sem coragem, não há,
Mas, vai faltar e com falta, vai acabar...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Certas verdades, meias angustias.

Desfaz o por do sol, surge no alto das pragmáticas relações humanas, o ódio, a angustia, os pedaços miúdos das perdições irreais... Filtra por dentro o medo da solidão, o desejo da redenção e a vontade de mais um abraço, um beijo, um aconchego meigo... Daqueles sorrisos espontâneos e que preciosamente guardamos na memória, ganhando com um nó na garganta, aquele choro que cela nossa verdade e que destrincha sentimentos grandiosos... 
- Eu? Vou catando os pedaços.
Tão certo, quanto o arrependimento que me nutri, é imaginar a incerteza de não ter a quem recorrer nos momentos, nos planos futuros e nos desejos do passado. De relembrar junto as carismáticas afeições de diálogos brandos, de abraços tolos e de estados, meramente psíquicos, de bobos apaixonados, embriagados pela imensidade da fortaleza de imagens, ou arquétipos, de amor.
Lembre-se dos meus olhos, na medida que nos aproximamos, da verdade que imana da essência e não da incrédula desvantagem, que posto ao fatos, fez com que a mesma transparecesse inventada, mas não, não duvide da minha lealdade, nem para amenizar conflitos, pois a certeza é que a minha idoneidade jamais será duvidosa. 
Se desculpas pudessem transparecer algo, elas transpareceriam o meu eficaz arrependimento, porque dê perto o sentimento ganhou força e nos trilhos até o trem se desatinou, e desgovernado, acertou em cheio meu coração, que não sabe seguir,  a perdição o acompanha e o desespero, agora, o nutre.

terça-feira, 12 de março de 2013

Tão longe e.


Não foi fácil entender os ‘por quês’ da vida, muito menos os sujeitos da ação... Até que você percebe o quanto a expressão ‘faz tempo’ é dolorida, arrebatadora dos desejos daqueles que dançam, embriagados, ao som de uma virtude transviada.
Aglomerações, apáticas, dos sujeitos da prosa, do romance e do poema...  Analogias murchas de dois sinônimos ambíguos, cujo temperamento, irreal, pois a sombra a prova do fogo, e o medo à prova de sonho. 
Não bastaram os derramamentos de sangue, os loucos preferiram se deliciar com a chuva vermelha, do que se proteger... Manchados ficaram, e pelas ruas andaram, até que pouco a pouco sumiram como imagens distorcidas de ‘pequenas porções e ilusão’.
Devaneio profundo, perto de qualquer distúrbio, ou qualquer desvio de conduta que me leve a um crime passional, irreal aos ouvidos dos grandes hipócritas, mas perto do coração dos grandes dementes de fortunas subjetivas.
Não me livrei da angustia, para me prender a mágoas, mas me livrei da nobreza , que me era inerente, para satisfazer sua virtudes, seus sonhos e suas eloquências. As palavras ainda mastigam o céu da boca e os sentimentos regurgitados estão.
Foi do céu azul a uma chuva calma, cuja tarde se passou num piscar de olhos... E na noite, ao som de insetos, que buscam conforto em volta da luz, se desfizeram das armas e se puseram a dormir... Uns tão bem, outros tão mal. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

P.lu.ra.L

Sou um conto às avessas.
Uma metáfora suja e,
Um poema bandido...
Daqueles que desatinam e,
Ludibriam a imaginação.
Destruindo qualquer sinônimo de comoção.

Fogo no ar, pedra no calcanhar...
Sujos, nobres, pobres ricos.
Findar a espera do entardecer...
E fazer, da sujeira, o canto do adormecer.
Criar situações, inventar reclamações e pó.

Voluptuárias circunstâncias irreais,
Amenizam a dor e dispersam o sono.
- Há quem diga que são feitas de dó,
Cuja verdade é mais breve,
Que qualquer fração do tempo...
- Efêmero, acabou no meio.

Soltos, estão, o acalentar da ilusão.
Guiados por uma sombra qualquer,
Ainda derramam, pelo chão,
Qualquer situação,
Sem o esforço para a conclusão.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Você tem pressa, então você corre...

Você imagina a vida branda. Então você acorda e percebe que tudo o que pensaras, como sinônimo de sucesso, é, na verdade, um caso concreto. 
Rasparam, minuciosamente, o pouco da verdade que, de espanto, sublimou o presente. Por fim, nasceu, novamente, a vergonha, o medo e a injúria. Você cresceu, no meio de tantos espinhos. Abrigou, por de baixo do pranto, um momento íntimo de dois mundos que, indiferentemente da concepção, se chocaram e arrebataram o seu pobre coração. 
Você sonhou em acordar um dia na hora desejada e gritar pela janela que a liberdade, na verdade, jamais será conquistada sem quedas, sem baixas e sem medo... Você sonhou também, em um dia acordar de repente  de um pesadelo qualquer e encontrar nos braços de quem te quer o conforto para tamanho desassossego, respirando aliviado por ter tido que limitar a liberdade, para poder conviver com quem afagas seu peito.
Não sonhou, porém, com uma liberdade triste, solitária, que derrama na cara o escarro e a indiferença dos que, de longe, são ilimitados, mas, de perto, são piores que qualquer devaneio fúnebre de um dia escuro, cujo sorriso esqueceu seu valor... Não sonhou, nem mesmo, com a paciência que, unida à responsabilidade, vira uma regra que não deve, nunca, ser esquecida, pois o respeito que emana da boca é mais forte que o abraço que afaga o corpo na cama. 
Notou, com o tempo, que tudo que passaras na sua cabeça era, então, um sonho qualquer, que demorava a ser entregue à realidade... Notou, contudo, que, em cada momento, a questão do perdão se distanciava, e você somente pensara no egoísmo imenso que o seu próprio eu profetizava, sem notar que a cegueira lhe acertava como um trem desgovernado... Culpara o resto pelo seu todo, e julgava qualquer julgamento como tolo... Mas, você não mudou, perdeu no caminho o peito cálido das noite frias, mas conquistou uma liberdade cinza, recheada de arrependimentos e de um orgulho inflável, cuja faísca do passado, lhe colocou a chorar em meio a um presente rasgado de poucas cinzas, tão soltas, que o vento se encarregou de dispersar. 
Você acordou... Talvez a tempo de mudar o percurso dos fatos... Mas, preferiu, por grandeza, uma liberdade falsa em vez de uma vida repleta de desejos... Seu foco, agora, era outro, era o medo...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fim de proza, ou coisa qualquer.

O poeta não soube o que escrever.
Pegou um pedaço de papel e mergulhou em qualquer sinal de embriagues.
Derreteu sobre o dia, tão quente quando o peito em acensão.
Salientou desejos, criou uma quimera...
e por fim, destilou sua descrença,
- imperceptível, - inafiançável, - inflamável...

Vulgares sentimentos, que somem.
- impropriamente, no meio da noite...
Causam insônia e pesadelos...
Causam dores.

O poeta, louco que era...

Um pierrot, no meio da escuridão
Dos mais devassos sentimentos de solidão.
Sobrou o vento no lado de fora...
e uma cortina  de sangue na metáfora...
Destruiu o desejo pronto,
e se desfez de novo....
- Renascerás das cinzas? - perguntou o cacheiro viajante...
Respondeu com o aceno de mão...
- Viverei nelas.

- Ramon Conti